segunda-feira, 1 de outubro de 2012

DIA INCOMUM - De um a sete



"Hoje é um dia incomum.

As vezes sinto que viajar
não me levará a lugar algum.

Decidi então imaginar uma estação com vários viajantes. 
Perceber que cada um deles tem um destino diferente.
Alguns decididos, outros errantes.

Saber que alguns exalam medo
e alguns inalam cedo o aroma sincero
que com esmero, muitos ousam borrifar
no ar...

Para que a fragrância surta algum efeito
no intuito mais perfeito de provocar a transformação 
daqueles que não estão seguros de sua existência 
Sem paciência de ser, estar
e fazer.

E ao ver, com minhas próprias lentes
O que os descrentes, da vida e do mundo,
insistem a fundo em não enxergar.
Tento em vão imaginar se em algum momento
todo esse sentimento de desamor
perderá seu cultuado valor...

Pois mais dias incomuns não tardam a chegar
E  num despertar de mais viajantes determinados
e predestinados a contagiar o ambiente
com um sorriso contente, um olhar amável,
uma música agradável e abraços apertados.
Porque quanto mais versos encantados, mais dança e mais arte,
mais aromas incomuns exalarão por toda parte..."


Em 01.10.2012
Imagem: "Balões viajores"

terça-feira, 17 de julho de 2012

A chuva





Hoje chove em meu ser
Vias entupidas de dor
Num alagado de angústias e padecimentos,
me encontro na lama que estou
                   na lama que for
                       na lama do amor...


Em  4 de julho de 2012
Imagem: "Chove aos meus pés"

sábado, 2 de junho de 2012

Me io




Meio frio. Meio calor
Meio que me deixa louco, louco e meio
  Bem no meio e no entremeio de buscar
        encontrar um meio, meio amor..
                 assim meiota, a me completar

             Porque sou meio
                      e meio que desejo

.Meu Eu Intrínseco em Outro.


Imagem: "Meiose"

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Poema perdido...


Reles mortal
caminha insana
espinha dorsal
em pele mundana


Banhada de lama
beco sem saída
deitada na grama
esterco da vida

Primata sem galho
mergulha profundo
por um ato falho
Fim da alegria
Fim de carreira
Fim do seu mundo...

Em 15 de abril de 2012
as 19h30

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mãos de chocolate...



E em um dia de sol com chuva, nosso pequeno viajante encontrou uma garota em seu caminho e decidiu segurar sua mão para acompanhá-la.
Reparou que em uma pequena bolsa, suja e desgastada, a garota caminhante carregava consigo seus próprios medos.
- Prefiro tê-los sempre por perto - afirmava ela com um sorriso corajoso no rosto.
O pequeno viajante, que também tinha muitos medos, fechava os olhos para não ver o escuro e preferia no entanto se desfazer de seus medos sempre que conseguia, perguntou a garota:
- E onde você encontra forças para levar tantos medos com você?
- Ah, a força eu carrego em minhas mãos - respondeu ela, com a mesma naturalidade com que suas pernas avançavam, uma após outra, em seu caminhar.
O pequeno andarilho olhou então para as mãos da garota, pequenas e sensíveis, confortavelmente entrelaçadas às suas.
"Que sábia garota" pensou  o viajante com um sorriso escondido no rosto enquanto continuaram a seguir caminho, de mãos dadas...


07 de maio de 2012
As 03:29
Imagem: "Mãos sabor de chocolate"

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Poema a uma planta




Maria, fecha a porta que teu pai já morreu
Mas Maria te conforta, o amor não se perdeu

Feche a porta Maria e abra tua janela
Deixando a luz entrar
Pra iluminar as memórias
Pinceladas em aquarela

Feche a porta Maria, de todo o coração
Importa mesmo o sentimento que fica
Aliado a saudosas lembranças
De pessoas que vem e vão

Feche a porta Maria e limpe toda tua casa
Elimine as impurezas
Purifique a nostalgia
Atenta que em prol disso até mesmo o tempo se atrasa

Porque és tu, Maria
Quem singelamente se recolhe e esconde seus segredos
Mas não esconde a beleza que muito me emociona
Ao levemente tocar-te com a ponta de meus dedos

Então permita que meu toque te preencha de alegria
E no ensejo permita que eu desvele tua essência
Assim meu anseio por ti prontamente se esvairia
Te peço com veemência
Apenas permita, Maria.
01 de maio de 2012 as 1h15
Imagem: Mimosa pudica da ilha

sábado, 14 de abril de 2012

Mensagem na garrafa nº 4 - Saberes



Sei quem sou.
Sei que semeamos sentimentos.
Sei que sentimos saudades de quem se vai.


Não sei se sonhamos sempre em sermos simplesmente seres melhores.
Mas sei que se nossos sonhos se realizassem, seriamos certamente mais satisfeitos com a vida que segue.


Sei que nossa sina é seguir a vida.


Sei ainda que o sabor salgado do nosso suor não vem do sal, mas do sacrifício consumado sem cerimônia por quem sabe o que quer ser.


Sei que sábio é quem diz não saber.


E sei que nada saudável é o fingir ser.
A simulação satura e é descoberta por si só.
Ignorando os sonhos, a saudade o sacrifício e o suor.
São todos sentimentos e saberes de lugares por onde passamos, ou passaremos.


Sinto que sei apenas o que posso saber.
Não sou sábio, porém eu sei.
Apenas sei.


11 de  Abril de 2012
de passagem

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Mensagem na garrafa nº 3 - [parte 1] - Sonhos



Sonhos. Relações.
Puro Sentido de devaneios reais.
A concretude real de nossos apegos e desapegos fragmentados.


O que dizer de quem não sonha ?
O que dizer de quem sonha nada ?
Não se precisa dizer. As relações o fazem por si só.
E os devaneios estão sempre lá..


....ou aqui.


( continua )


2 viajantes da madrugada
9 de abril de 2012, antes do sol nascer
Imagem: Lapso noturno ( pelo pequeno viajante )

sábado, 17 de março de 2012

Redes...


Rede.


Um emaranhado entrelaçar de fios, caminhos.
Tessituras conectadas de uma ponta a outra, ou de qualquer ponta.
Pontas que suspensas sustentam um algo, um organismo, um corpo. 


Teu corpo.


Redes sustentam também uma idéia, propulsionam um movimento, me conectam a você e me embalam a uma velocidade de dois braços que empurram, que abraçam e alcançam o que a mão consegue tocar: um rosto. 


Teu rosto.


Erguido pelos punhos da esperança e amarrado na haste da persistência, me elevo e ganho impulso para mais uma viagem em direção a um caminho. 


Teu caminho.


                   ( Imagem: "Ela e as redes", do Viajante )

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Abraços...

E existem aqueles dias que você sente vontade de abraçar alguém muito forte como se fosse o ultimo abraço...
Dizer "eu te amo" como se fossem as ultimas palavras proferidas pela sua boca...
Olhar profundamente nos olhos como se fosse a ultima imagem registrada pela sua visão...
E permitir que a tua alma goze de um sentimento tão forte que parece ter intensidade suficiente pra preencher as 3 vidas seguintes...
...como se fossem as ultimas vidas...

Sim, as vezes ele sente isso na solidão de suas viagens.
Pobre andarilho. E ao mesmo tempo tão rico.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Mensagem na garrafa n° 2 - Palavras de verdade


"E no meio de uma de nossas viagens, por vezes nos vemos envolvido por muitas palavras e as lemos assustados.
Palavras que se repetem e se espalham vertiginosamente pelo ambiente a nossa volta.

Medo. Como o pavor do desconhecido, do escuro que poderá não mais ser iluminado . Ou mesmo daquele belíssimo vaso de calêndulas francesas que de noite lembram um ruivo brinquedo assassino, pronto para atacar assim que nossos olhos se fecharem.

Solidão. Como esperar por alguém que, sabe-se, não vai chegar. Ouvir vozes e sentir aromas melancolicamente irreais. Ou mesmo andar em meio aquela vazia multidão de anônimos, tentando fitar olhos desconhecidos em busca de um olhar afetuoso em retorno.

Dor. Como a retirada do dente que não vai mais nascer, o despetalar da rosa que perenemente perdeu seu aroma. Ou mesmo o corte lancinante de um corpo sem órgãos, feito sem armas por um ninguém sem rosto e sem sentimentos.

Em meio a estas e outras palavras, no entanto, encontramos a verdade... E a tornamos nossa essência.
Percebemos através disso que a verdade tem poder sobre as coisas do mundo.

Porque a luz sempre volta a surgir, 
o sol sempre torna a nascer,
o alguém pode um dia chegar, 
um olhar terno pode te encontrar.

E assim as palavras misteriosamente se empoderam de novos significados.
E assim o aroma misteriosamente volta a exalar daquela rosa.
E assim a ferida misteriosamente se regenera naquele corpo.
Pleno de virtudes,
Pleno de esperanças,
Pleno de verdade."

Escrito de 01:49 a 14:49 de 02/02/2012
Obra: "Provérbios 31:8" por E.R.A.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Pores-de-sol...

Fotografia feita pelo poeta da luz Pedro Machado

Esta noite o pequeno viajante sonhou que conhecia um poeta.
E descobriu que ele vivia na arte. Sua casa era feita de esculturas, telas, instalações e contaminada diariamente por versos e conceitos artísticos.


Seus olhos brilharam e começaram a lacrimejar instantaneamente quando percebeu que o poeta tinha um pôr-de-sol em seu lar...
Lá não havia dia nem noite, apenas o pôr-do-sol... Lindo... Que tingia sua casa de tons amarelo-avermelhados, e iluminava os cômodos com uma luz mágica que só o sol pode proporcionar no exato momento em que está se pondo! 
( Nosso mochileiro sabia disso porque já conheceu muitos poetas: poetas da palavra, poetas do corpo e poetas da luz. Sim, ele conheceu.)

Ao acordar, o pequeno viajante chorava mais do que outrora em sonho.
E desejou profundamente, no íntimo de seu coraçãozinho andarilho, ter um pôr-do-sol em sua casa também...
Mas isso era algo que ele ainda não poderia ter, pois não havia se tornado poeta, era apenas um viajante.
 

E mais lágrimas caíram...

Logo depois lembrou de outros viajantes que não desejam pores-de-sol, nem suas cores, nem sua luz.

E mais uma vez ele chorou...