segunda-feira, 21 de maio de 2012

Poema perdido...


Reles mortal
caminha insana
espinha dorsal
em pele mundana


Banhada de lama
beco sem saída
deitada na grama
esterco da vida

Primata sem galho
mergulha profundo
por um ato falho
Fim da alegria
Fim de carreira
Fim do seu mundo...

Em 15 de abril de 2012
as 19h30

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mãos de chocolate...



E em um dia de sol com chuva, nosso pequeno viajante encontrou uma garota em seu caminho e decidiu segurar sua mão para acompanhá-la.
Reparou que em uma pequena bolsa, suja e desgastada, a garota caminhante carregava consigo seus próprios medos.
- Prefiro tê-los sempre por perto - afirmava ela com um sorriso corajoso no rosto.
O pequeno viajante, que também tinha muitos medos, fechava os olhos para não ver o escuro e preferia no entanto se desfazer de seus medos sempre que conseguia, perguntou a garota:
- E onde você encontra forças para levar tantos medos com você?
- Ah, a força eu carrego em minhas mãos - respondeu ela, com a mesma naturalidade com que suas pernas avançavam, uma após outra, em seu caminhar.
O pequeno andarilho olhou então para as mãos da garota, pequenas e sensíveis, confortavelmente entrelaçadas às suas.
"Que sábia garota" pensou  o viajante com um sorriso escondido no rosto enquanto continuaram a seguir caminho, de mãos dadas...


07 de maio de 2012
As 03:29
Imagem: "Mãos sabor de chocolate"

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Poema a uma planta




Maria, fecha a porta que teu pai já morreu
Mas Maria te conforta, o amor não se perdeu

Feche a porta Maria e abra tua janela
Deixando a luz entrar
Pra iluminar as memórias
Pinceladas em aquarela

Feche a porta Maria, de todo o coração
Importa mesmo o sentimento que fica
Aliado a saudosas lembranças
De pessoas que vem e vão

Feche a porta Maria e limpe toda tua casa
Elimine as impurezas
Purifique a nostalgia
Atenta que em prol disso até mesmo o tempo se atrasa

Porque és tu, Maria
Quem singelamente se recolhe e esconde seus segredos
Mas não esconde a beleza que muito me emociona
Ao levemente tocar-te com a ponta de meus dedos

Então permita que meu toque te preencha de alegria
E no ensejo permita que eu desvele tua essência
Assim meu anseio por ti prontamente se esvairia
Te peço com veemência
Apenas permita, Maria.
01 de maio de 2012 as 1h15
Imagem: Mimosa pudica da ilha